O Dia Nacional da Mata Atlântica é comemorado anualmente em 27 de maio.
Esta data tem, acima de tudo, o objetivo de conscientizar a população em geral sobre a necessidade emergencial de proteger e recuperar a Mata Atlântica brasileira, um dos biomas mais antigos do Brasil, originado há aproximadamente 70 milhões de anos.
A atual condição da Mata Atlântica é bastante preocupante. Estima-se que exista apenas 7% do bioma natural, sendo o restante devastado com o processo de crescimento dos grandes centros urbanos.
Também estima-se que 60% de todos os animais em extinção no Brasil dependam deste bioma para a sua sobrevivência.
A criação do Dia Nacional da Mata Atlântica foi instituída através do Decreto Presidencial de 21 de setembro de 1999. O dia 27 de maio foi escolhido em memória da famosa “Carta de São Vicente”, onde o Padre Anchieta teria descrito pela primeira vez as belezas das florestas tropicais do Brasil, em 1560.
Atualmente, existem algumas instituições e organizações destinadas exclusivamente em proteger a conscientizar as pessoas sobre a importância de preservar este bioma, como a S.O.S Mata Atlântica.
Por norma, nesta data, as escolas, instituições e organizações que protegem o meio ambiente, organizam atividades, palestras, workshops e outras ações que visam a reeducação da população sobre quais os cuidados que cada cidadão deve ter para diminuir a degradação da Mata Atlântica.
Importância da Mata Atlântica
Considerada patrimônio nacional pela Constituição Federal de 1988, a Mata Atlântica é essencial para a manutenção da vida no litoral brasileiro e em algumas áreas interioranas de sua ocorrência.
A princípio, é na Mata Atlântica que está localizada a árvore que deu nome ao nosso país: o pau-brasil. Além disso, nesse bioma estão importantes bacias que servem desde a navegação fluvial, como o rio Tietê, até rios que geram grandes quantidades de energia, como o rio Paraná. Há outros rios, como o Paraíba do Sul, o Paranapanema, o São Francisco e Rio Doce.
Isso mostra a importância das águas da mata, tanto para o consumo humano quanto para atividades industriais e agrícolas, sendo fundamentais no desenvolvimento das grandes cidades brasileiras, como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. De acordo com a Apremavi, são mais de 100 milhões de brasileiros que se beneficiam delas.
Devido a sua grande importância para o povo brasileiro, em dezembro de 2006, foi sancionada a Lei da Mata Atlântica, de número 11.428, que rege políticas públicas relacionadas à proteção e conservação da mata, além de regulamentar a exploração apenas quando tal ação não prejudique a vegetação, conforme consta no artigo 20:
“O corte e a supressão da vegetação primária do Bioma Mata Atlântica somente serão autorizados em caráter excepcional, quando necessários à realização de obras, projetos ou atividades de utilidade pública, pesquisas científicas e práticas preservacionistas.”
Entretanto, o estrago feito na Mata Atlântica durante os mais de 500 anos de história brasileira ainda é maior do que os mecanismos jurídicos, cabendo à sociedade educação e conscientização ambiental para proteger um dos maiores patrimônios do país.
Degradação da Mata Atlântica
A lei promulgada em 2006 que protege a Mata Atlântica é fruto de ações ambientalistas ainda na década de 1980, quando a Constituição Federal determinou que esse bioma se tornasse patrimônio nacional.
A degradação da mata iniciou-se já em 1500, quando os portugueses aqui chegaram e retiraram grandes quantidades de pau-brasil, exportando-o para a Europa. A cor avermelhada dessa árvore chamava a atenção dos europeus, que usavam a madeira para construção de móveis e sua cor para tingir tecidos.
Com o passar dos anos, o desenvolvimento no litoral brasileiro fez com que grande parte da mata fosse desmatada para inúmeros fins: agricultura, abertura de ferrovias e rodovias, construção e expansão de cidades, implantação de indústrias etc. Isso tornou a Mata Atlântica o primeiro bioma brasileiro a sofrer um grave desmatamento.
Além do desmatamento, há o comércio ilegal de espécies da fauna ou da flora. O tráfico de animais é recorrente na região, principalmente com micos, araras e corujas, ou com as orquídeas, bromélias e pinheiros. A retirada de animais e/ou plantas do ecossistema afeta toda a comunidade biológica, sem contar que ocorre de forma bruta, sem critérios e nenhuma garantia de sustentabilidade ou renovação para o bioma.
O que resta da Mata Atlântica?
Com pouco mais de 100 mil km², hoje a Mata Atlântica possui apenas 7,84% de sua vegetação original. O desmatamento e as ocupações irregulares reduziram drasticamente as áreas ocupadas pela mata. Ademais, essa porcentagem está distribuída de forma irregular no país, com alguns estados com menos de 1% do que havia em 1500. Um exemplo é o estado do Piauí, no Nordeste do Brasil. Esse estado possui apenas 0,1% da Mata Atlântica original.
Toda essa devastação fez com que a ONG Conservação Internacional incluísse a Mata Atlântica na lista dos hotspots. Esse conceito é associado a biomas que possuam grande biodiversidade e com muitas espécies endêmicas, restritas àquela localidade e mais suscetíveis de serem extintas. Além disso, para um bioma ser considerado um hotspot, é necessário que 75% (ou mais) de sua área original esteja desmatada, destruída.
Além da Mata Atlântica, o Cerrado brasileiro também se enquadra nesses quesitos.
Exercícios resolvidos
Questão 1 – (PUCCAMP/2017) Um grande poeta brasileiro foi João Cabral de Melo Neto, conhecido por poemas marcantes e muito bem trabalhados. Em “Morte e vida severina”, o trecho abaixo refere-se à chegada do protagonista em uma nova fitofisionomia, depois de atravessar a Caatinga:
Bem me diziam que a terra
se faz mais branda e macia
quando mais do litoral
a viagem se aproxima.
Agora afinal cheguei
nesta terra que diziam.
Como ela é uma terra doce
para os pés e para a vista.
Os rios que correm aqui
têm água vitalícia.
Essa descrição corresponde
- a) ao Agreste, região de matas de galeria entre a Caatinga e o Cerrado.
- b) ao Sertão, região de Cerrado com matas perenes ou semidecíduas.
- c) ao Cerradão, uma região de florestas resistentes à seca.
- d) à Mata Ripária, uma faixa contínua ao longo do litoral leste do Brasil.
- e) à Zona da Mata, originalmente coberta por Mata Atlântica.
· Subdivisões da Mata Atlântica
A Mata Atlântica tem algumas características bem semelhantes às da Floresta Amazônica. Essas características são referentes ao porte das árvores e ao desenvolvimento da fauna: ambos os biomas possuem árvores altas que podem chegar a mais de 30 metros de altura, com pequenas vegetações arbustivas que surgem à sombra delas.
Segundo a Apremavi, podemos dividir a Mata Atlântica em duas florestas: primária e secundária. Esta última possui três estágios, variando de acordo com regeneração da vegetação.
- Floresta primária: pode ser conhecida como mata virgem, pois se refere à floresta intocada pelos humanos ou em que a ação humana não levou desequilíbrio para a relação entre os seres vivos. Nessa floresta encontramos as árvores mais altas e grossas da Mata Atlântica, além de orquídeas e cactos nas copas das árvores.
- Floresta secundária: refere-se a áreas em que houve atividade humana, como agricultura e extrativismo vegetal. Após essas atividades, algumas áreas são abandonadas e a floresta mostra sua capacidade de regeneração biológica, que faz ressurgir espécies. Essa regeneração acontece em três estágios
→ Estágio inicial: pode durar até 10 anos, dependendo do grau de devastação do solo e da flora e da quantidade de sementes no chão. Nesse estágio as árvores não passam de quatro metros de altura, prevalecendo samambaias no chão.
→ Estágio médio: as samambaias diminuem e as árvores podem atingir até 12 metros de altura, aparecendo árvores nativas, como as aroeiras e ingás.
→ Estágio avançado: após o estágio médio, a floresta pode demorar até 200 anos para atingir o patamar da floresta primária. Nesse estágio, as samambaias desaparecem e a biodiversidade aumenta gradativamente. Espécies nativas começam a ressurgir, como os cedros e as sapucaias.
· Vegetação e flora da Mata Atlântica
A Mata Atlântica possui uma rica biodiversidade em todos os sentidos. Algumas espécies de sua vegetação são endêmicas, ou seja, só ocorrem nela. Sua diversidade ecológica permite-lhe regenerações espontâneas, mas elas são atrapalhadas pelas ações humanas, como o desmatamento, o comércio ilegal, as pastagens, entre outros.
Por conta dessa biodiversidade, não há estudos conclusivos da quantidade de espécies na região. Estima-se que haja na Mata Atlântica 20 mil espécies de árvores, o que significa 35% do total existente no Brasil.
A Mata Atlântica é estratificada, com grandes árvores. Elas compõem o dossel da floresta e absorvem a maior parte dos raios solares. Toda matéria orgânica (folhas, frutos) é absorvida pelo solo da floresta, tornando-o fértil para as vegetações. Abaixo do dossel, crescem pequenas vegetações arbustivas nas sombras das árvores mais altas.
Veja algumas árvores e frutas nativas da Mata Atlântica:
- Jabuticabeira
- Goiaba
- Araçá
- Pitanga
- Caju
- Cambuci
- Erva-mate
- Pau-brasil
- Juçara
- Bromélias
- Orquídeas
- Pinheiro-do-paraná
- Jatobá
- Gabiroba
- Palmiteiro
Por tratar-se de um bioma rico em biodiversidade e relativamente extenso em extensão territorial, a Mata Atlântica é subdividida em alguns ecossistemas. Essa subdivisão foi elaborada, em 1990, pela Fundação SOS Mata Atlântica, em um encontro de pesquisadores, e reconhecida legalmente, em 1992, pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente, o Conama.
- Floresta ombrófila densa:é marcada pelas árvores de copas altas, formando coberturas vegetais fechadas. É mais comum no litoral brasileiro, do Rio Grande do Sul ao Ceará, com precipitações regulares durante o ano.
- Floresta ombrófila mista:é comum de áreas frias, como a região Sul do Brasil e os planaltos do Sudeste. Uma árvore típica dessa localidade é a Araucária.
- Floresta ombrófila aberta:é comum em áreas mais secas e com altas temperaturas, sem a presença de árvores com copas altas fechadas. É encontrada em Minas Gerais, Espírito Santo e Alagoas.
- Floresta estacional semidecidual:é também conhecida como floresta tropical subcaducifólia, algumas de suas árvores podem perder as folhas durante o outono e inverno.
- Floresta estacional decidual:ocorre em locais com duas estações definidas, uma seca e outra úmida. Em geral, suas árvores perdem as folhas no inverno seco e frio.
- Campos de altitude:como o nome diz, essa subdivisão ocorre em áreas altas da mata, prevalecendo a existência de gramíneas nos altos picos.
- Brejos interioranos:ocorrem em áreas de transição da Caatinga para a Mata Atlântica, sendo fundamentais para a agricultura nordestina devido ao armazenamento hídrico.
- Manguezais: são vegetações que ocorrem nas áreas de contato das águas doces (rios) com as águas salgadas (mares e oceanos) presentes em todo litoral brasileiro. Possuem uma rica fauna, como moluscos e caranguejos, sendo importantes para conter a força das marés altas.
- Restinga: é a área de depósitos de areia (arenosos) em toda a costa brasileira, com uma vegetação que depende de fatores abióticos, como a água, o vento, a radiação solar, entre outros.
- Vegetação fixadora de dunas: é a vegetação que fixa a areia das praias no litoral, impedindo-a de espalhar-se pela orla, além de servir de repouso para aves de pequeno e médio porte.
· Clima da Mata Atlântica
A maior da parte da mata tem como condição climática a influência do clima Tropical. Esse clima apresenta verões chuvosos e invernos secos. Na parte litorânea do Brasil, temos a presença da massa de ar Tropical Atlântica, quente e úmida, favorecendo a Mata com bastante índices pluviométricos regulares durante o ano.
Essa consequência alimenta a rica biodiversidade na Mata Atlântica. No entanto, nas serras da região Sudeste, há o clima Tropical de Altitude, com intensas chuvas nas áreas mais altas, chegando-se a 4000 mm de precipitação durante o ano, principalmente na Serra do Mar, no estado de São Paulo.
· Fauna da Mata Atlântica
Assim como a variedade na flora, a fauna da Mata Atlântica é bem diversificada. Há espécies que podem ser encontradas também em outros biomas, como a onça-pintada e a anta. São várias espécies diferentes, incluindo-se mais de 270 mamíferos, 1000 aves, 370 anfíbios, 200 répteis e 350 peixes. Os números são aproximados devido à vasta distribuição de todos esses animais.
Entretanto, essa riqueza chama a atenção dos exploradores ilegais da natureza. De acordo com um levantamento do Ibama, no final da década de 1980, das 202 espécies ameaçadas de extinção no Brasil, 171 eram nativas da Mata Atlântica. No início dos anos 2000, essa lista de ameaçados de extinção subiu para 633, sendo mais de 60% de animais da Mata Atlântica.
A rica biodiversidade da mata atrai os praticantes de tráfico de animais, o que prejudica o ecossistema local. Quando se retira um animal do seu hábitat natural, sua presa pode proliferar-se rapidamente, e seu predador pode não encontrar outro alimento, ocorrendo um grave desequilíbrio na cadeia alimentar daquela localidade. É importante a conscientização ambiental nesse sentido, pois um pequeno gesto, como o tráfico de um animal, pode impactar de forma grandiosa na vida de todo um ecossistema.
Veja alguns dos animais mais comuns na Mata Atlântica:
- Tatu
- Quero-quero
- Jararaca
- Murucututu-de-barriga-amarela
- Gato-do-mato
- Jacu
- Capivara
- Beija-flor-verde
- Lagartixa-da-areia
- Tartaruga-de-couro
- Mico-leão-da-cara-preta
- Mico-leão-dourado
- Cutia
· População da Mata Atlântica
De acordo com um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, estima-se que, aproximadamente, 120 milhões de brasileiros vivam sob o domínio da Mata Atlântica, mais de 70% de toda população do país.
Esse alto contingente populacional é explicado pela colonização brasileira. Foi no litoral que se desenvolveram os primeiros aglomerados urbanos e, posteriormente, os primeiros centros industriais. Tudo na região da Mata Atlântica.
A devastação da Mata é preocupante do ponto de vista social, pois grande parte da sociedade brasileira depende dela para a preservação de nascentes, como a do rio São Francisco, que nasce em Minas Gerais. Ademais, povos indígenas, como os Guarani ou os Caiçara, vivem na mata e necessitam dela preservada para sua sobrevivência: caça, pesca, agricultura, extrativismo.



