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Confiança de empresários e consumidores está em queda

As expectativas das empresas e de consumidores estão baixas, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV). O indicador empresarial reflete a desaceleração das atividades econômicas no fim de 2022, enquanto a dos consumidores, apesar de recuperar parte das perdas dos meses anteriores, indica uma postura mais cautelosa.

“O resultado é reflexo de uma possível desaceleração econômica para os próximos meses, à medida que há um esgotamento do crescimento de setores antes reprimidos, manutenção de preços elevados e política monetária contracionista”, citam os especialistas da FGV.

Eles apontam que, mesmo com a melhora no mercado de trabalho, a inflação continua sendo um fator de pessimismo para os consumidores, além do cenário de endividamento elevado das famílias, principalmente as de menor renda; taxa de juros alta e o fim dos incentivos à demanda.

A economista-chefe do Banco Inter, Rafaela Vitória, disse, em dezembro, que esse ânimo mais deteriorado pode se transformar em queda de atividade à frente. “Não só os juros mais altos impactam os negócios, mas o cenário de incerteza também dificulta o planejamento”, diz.

Segundo ela, a PEC fura-teto, com elevados gastos adicionais para 2023, trouxe de volta o risco de desancoragem da inflação: “O aumento de gastos sem contrapartida pode ter efeito inflacionário ainda em 2023, colocando a meta do ano novamente em risco, podendo resultar em novas altas da Selic pelo BC”.

As últimas divulgações do boletim Focus já mostram essa maior pressão inflacionária. Esse risco de desancoragem das expectativas pode ter efeito nas taxas de juros e se refletir na economia, ampliando a desaceleração. Carvalho, da Toro Investimentos, já trabalha com a hipótese de uma queda de juros só na virada de 2023 para 2024: “A incerteza fiscal incomoda bastante”.

Com inflação mundial alta, juros sobem e crescimento cai

Esse cenário de maior inflação mundial está obrigando os países a adotarem uma política monetária mais restritiva, com juros mais elevados, que por sua vez reduz as expectativas de crescimento da economia mundial. Em outubro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) projetava uma expansão de 2,7% para o PIB global em 2023.

A preocupação é de que, neste cenário mais conturbado, o Federal Reserve (o BC norte-americano) não inicie o corte dos juros em 2023. Dias aponta que, apesar de o Brasil estar relativamente preparado para este cenário, o Comitê de Política Monetária (Copom) não conseguiria reduzir muito a taxa Selic, devido à necessidade de se manter um diferencial entre os juros brasileiro e americano.

O analista-chefe da Toro aponta que há um pouco de cautela em relação aos Estados Unidos, apesar de a inflação estar cedendo por lá. Nos 12 meses encerrados em novembro, os preços ao consumidor aumentaram 7,1%, a menor alta nesse intervalo de tempo desde dezembro de 2021, segundo o US Bureau of Labor Statistics.

A expectativa é de uma recessão menos severa para a economia americana. Para a Europa, o cenário é diferente. Além da alta nos preços, a região convive com uma crise energética, que complica mais o cenário. A inflação acumulada em 12 meses estava em 11,5% em outubro e as perspectivas de crescimento econômico para 2023 são de apenas 0,5% na área do euro, segundo o FMI.

Um complicador adicional, segundo Galvão, da FAC-SP, é a mudança no paradigma dos negócios, devido a questões geopolíticas. A Covid-19 e a guerra na Ucrânia mexeram com as cadeias globais de produção.

O professor diz que esse cenário de custos de produção e dinheiro mais caros vai demorar para ser corrigido. “Ninguém quer ficar dependendo de fornecedores ou de blocos econômicos específicos”, diz o professor.

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