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Com sistema de saúde em colapso, Teixeira de Freitas não receberá novas doses de vacinas

Enquanto o número de infectados se multiplica, lotando hospitais e cemitérios, o prefeito de Teixeira de Freitas, Marcelo Belitardo, apesar de ser médico, parece não estar convencido da eficácia das duas únicas maneiras até agora descobertas pela ciência para conter o avanço da pandemia do novo coronavírus: o distanciamento social e a vacinação.

Teixeira de Freitas já contabiliza 166 mortos por coronavírus, conforme Boletim Epidemiológico divulgado quarta-feira (10 de março) pela Secretaria Municipal de Saúde. Em um único dia foram 38 novos casos positivados, totalizando, desde o início da pandemia, 11.598 casos confirmados. Desse total, 79 são considerados ativos.

Para piorar a situação, o último censo de ocupação de leitos, feito na tarde de quarta-feira, 10 de março, mostra que os leitos de UTI na rede privada estão com 100% de ocupação e na rede pública, com 87%. Esses números significam que a rede de saúde do município está em colapso, pois o número de casos continua crescendo e praticamente não há mais leitos para internar os pacientes graves.

A situação fica ainda mais dramática porque Teixeira de Freitas pode enfrentar a falta de vacinas. O motivo é que o município não receberá uma nova remessa de doses contra a Covid-porque não atingiu o percentual mínimo de cobertura vacinal exigido pela CIB (Comissão Intergestores Bipartite). Das 5.450 doses recebidas (1ª dose), foram aplicadas apenas 4.515, o que equivale a 82,8% da cobertura. Ou seja, a prefeitura não foi ágil o suficiente para vacinar os grupos prioritários.

Segundo a coordenadora de imunização do Estado, Vânia Rebouças, somente os municípios que já utilizaram 85% das doses anteriormente recebidas terão nova remessa.

Mesmo com a piora na taxa de ocupação em UTI e de transmissão do vírus, medidas restritivas ainda são deixadas de lado pela prefeitura. Prova disso é o decreto nº 453/2021, publicado quarta-feira, que estende as medidas de circulação no município e mantem o comércio aberto, com restrições de funcionamento até o dia 1º de abril.

Segundo o decreto, continua permitida a celebração de culto nos templos religiosos até as 19h30min. As atividades de comércio de rua, bares e restaurantes com atendimento presencial, shopping, galerias de lojas e demais centros comerciais podem funcionar até as 20 horas, e os serviços de entrega em domicílio (delivery) de alimentação e bebida alcoólica até a meia-noite. Também podem funcionar as academias em todas as suas modalidades.

A única medida do decreto municipal que obedece ao Decreto Estadual nº 20.260/2021 é a restrição de locomoção noturna, das 20h às 5h.

O chefe do Executivo poderia usar a mesma disposição com que defende a abertura do comércio e medidas menos rígidas de enfrentamento à Covid para cobrar do governo federal mais vacinas para a imunização dos teixeirenses contra a doença.

A formação na área médica deveria ser suficiente para que o prefeito não adotasse decisões e discursos divorciados do que recomendam as autoridades sanitárias de todo o mundo.

Um estudo analisou as medidas de 190 países entre 23 de janeiro e 13 de abril de 2020. Ele levou em consideração quatro tipos de intervenções não-farmacêuticas para a redução do coronavírus: o uso obrigatório de máscara em público; isolamento social ou quarentena; distanciamento social e restrição na mobilidade urbana.

Qualquer intervenção realizada isoladamente levou a uma redução significativa na transmissão do coronavírus. Porém, as intervenções mais efetivas foram aquelas que incluíram distanciamento social, prática recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) desde o início da pandemia. Já a intervenção mais comum nos países analisados foi a restrição na mobilidade urbana.

Portanto, os números da pandemia que se vê hoje em Teixeira de Freitas são resultado de uma combinação de falta de bom senso da população, que continua se aglomerando, e má gestão na saúde do município, que insiste em não aplicar as soluções encontradas até agora pela ciência para frear o avanço da Covid.

 

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