Franedir Gois/OPovonews
A Comunidade Quilombola de Volta Miúda, Caravelas, vem sofrendo há anos danos causados pelo Suzano Papel Celulose. Ainda existem uns poucos de moradores que resistiram ao êxodo Rural, mesmo assim, enfrentam situações que você vai ver agora nessa reportagem. As imagens são de Clébio Leocádio, ele que registrou o momento em que o veneno é colocado no solo. Os resultados estão na matança dos animais, sobretudo nas galinhas de Dona Lúcia.
Os danos causados pelos agrotóxicos usados no eucalipto dividem-se clinicamente entre efeitos agudos e crônicos.
A exposição ocorre por via dérmica (contato com a pele), inalatória (respiração do vapor ou gotículas da pulverização) e oral (ingestão de água ou alimentos contaminados).
Abaixo estão os principais impactos médicos documentados por órgãos de saúde pública e pesquisas toxicológicas:
O uso de agrotóxicos nas monoculturas de eucalipto causa sérios danos à saúde física, à segurança alimentar e ao modo de vida das comunidades nativas, indígenas e tradicionais. Devido à proximidade geográfica e à prática de pulverização aérea, esses defensivos químicos atingem diretamente os territórios originários.
Abaixo estão detalhados os principais impactos causados a essas populações:
Impactos Diretos na Saúde Humana
Intoxicação aguda: Sintomas imediatos como tonturas, náuseas, vômitos, dores de cabeça, lesões na pele, coceira intensa e severas dificuldades respiratórias após as aplicações nas plantações vizinhas.
Doenças crônicas: A exposição prolongada e contínua a substâncias como o glifosato está associada cientificamente ao aumento no risco de desenvolvimento de diferentes tipos de câncer, abortos espontâneos, infertilidade e problemas hepáticos ou renais.
Contaminação sistêmica: Resíduos químicos são carregados pelo ar (deriva) e pela chuva, afetando diretamente as moradias, escolas e espaços de convivência das aldeias.
Contaminação da Água e do Solo
Poluição de nascentes: A chuva carrega os venenos aplicados no eucalipto para os rios, riachos e lençóis freáticos que abastecem as comunidades, tornando a água imprópria para o consumo humano e para o banho.
Morte da vida aquática: Os resíduos químicos nos corpos d’água matam peixes e anfíbios, destruindo uma das principais fontes de proteína das populações locais.
Degradação do solo nativo: Os venenos eliminam microrganismos essenciais da terra (como minhocas e insetos polinizadores), gerando o que movimentos sociais chamam de “desertos verdes”.
Insegurança Alimentar e Econômica
Perda de lavouras tradicionais: O vento carrega as toxinas (fenômeno da deriva) para dentro das roças de subsistência dos nativos, queimando e matando culturas de alimentos como mandioca, milho, banana e árvores frutíferas nativas.
Escassez de caça: Os animais da floresta fogem ou morrem devido à toxicidade e à falta de alimentos nas áreas de monocultura, inviabilizando a caça tradicional.
Inviabilidade do artesanato: A contaminação e a substituição da vegetação nativa extinguem matérias-primas vegetais indispensáveis para a confecção de remédios caseiros e peças de artesanato.
Destruição Cultural e Social
- Rompimento do vínculo ancestral: Para os povos nativos, a terra, a floresta e os rios são parte de sua identidade espiritual e cultural. O envenenamento e o cerceamento desses espaços destroem seu modo de vida tradicional.
- Êxodo forçado: Sem água limpa, sem capacidade de plantar o próprio alimento e sem caça, muitas famílias se veem obrigadas a abandonar suas terras originárias e migrar para as periferias das cidades.










