Especialista alerta que obesidade é uma doença crônica e multifatorial e destaca atitudes para combater a discriminação
O Dia de Luta Contra a Gordofobia, celebrado em 10 de setembro, reforça a necessidade de combater o preconceito enfrentado por pessoas com obesidade. Além dos impactos na saúde física, a discriminação relacionada ao peso pode provocar sofrimento emocional, dificultar o acesso ao tratamento e gerar exclusão em diferentes ambientes da sociedade.
Dados do Atlas Mundial da Obesidade 2025 apontam que, mantido o ritmo atual, cerca de 3 bilhões de adultos poderão estar com sobrepeso ou obesidade até 2030, o equivalente a aproximadamente metade da população adulta mundial.
Para o médico nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), a obesidade precisa ser compreendida como uma doença crônica e multifatorial, influenciada por fatores biológicos, genéticos, metabólicos, ambientais, comportamentais e sociais.
Segundo o especialista, reduzir a condição a uma questão de aparência ou falta de força de vontade contribui para a perpetuação de estereótipos que afetam diretamente a qualidade de vida dos pacientes.
“A obesidade não é resultado apenas de escolhas individuais. Quando a sociedade ignora essa complexidade, reforça preconceitos que geram sofrimento emocional, isolamento e atraso na busca por tratamento”, afirma.
O médico destaca que a gordofobia pode aparecer em situações cotidianas, como comentários sobre o corpo, pressão estética, dificuldades de acessibilidade, exclusão profissional e até dentro do ambiente familiar.
Entre as atitudes consideradas fundamentais para combater esse preconceito estão reconhecer a obesidade como uma doença, evitar julgamentos baseados na aparência física e compreender que saúde não depende exclusivamente do peso corporal.
O especialista também chama atenção para os impactos emocionais provocados pela discriminação. Ansiedade, depressão, baixa autoestima e transtornos alimentares estão entre as consequências frequentemente associadas à gordofobia, especialmente entre adolescentes.
Outra orientação é evitar comentários sobre o corpo de outras pessoas, mesmo quando feitos com a intenção de elogiar ou aconselhar. Segundo ele, frases que condicionam beleza ou valor pessoal ao emagrecimento reforçam padrões estéticos excludentes.
Além disso, o tratamento da obesidade deve considerar diversos aspectos da vida do paciente, incluindo saúde física e mental, hábitos alimentares, prática de atividades físicas, histórico clínico e contexto social.
Para Durval Ribas Filho, o enfrentamento da obesidade depende tanto do comprometimento individual quanto do acolhimento da sociedade.
“O cuidado com a saúde começa pela própria pessoa, mas esse processo só é possível quando existe respeito, acolhimento e acesso ao tratamento. Combater a gordofobia é um passo essencial para que mais pessoas procurem ajuda sem medo de julgamento”, destaca.



