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Suspeito de matar estudante é preso: 'Criou uma obsessão pela menina'

O suspeito de matar a estudante Stephanie Souza, 19 anos, em maio de 2018, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), foi preso pela Polícia Civil e confessou o crime. O homem, que não teve nome divulgado, trabalhava como motorista de aplicativo e conhecia a família da vítima, para quem prestava serviço às vezes. A polícia diz que o crime foi motivado por um interesse não correspondido dele em Stephanie.

O corpo da jovem foi encontrado abandonado em uma área erma de Simões Filho, com sinais de estrangulamento. A polícia confirma que ela foi morta por asfixia, provavelmente depois de receber um golpe tipo mata-leão do suspeito.

O delegado Leandro Acácio, da 22ª Delegacia (Simões Filho), diz que desde que assumiu a unidade, há dois anos, o caso é uma das suas prioridades. Na época, ele diz que os métodos tradicionais já tinham se esgotado, sem resultado. “Porque o fato foi praticado em local totalmente deserto. Não tinha testemunha. A gente teve que adotar outros tipos de método de investigação”, diz ele, que prefere não detalhar como chegaram ao nome do suspeito, para preservar o trabalho feito.

“Conheceu a família quando era motorista de ônibus, depois deixou e passou a rodar transporte por aplicativo. E fazia serviço particular para família, não só para essa família, mas todo mundo que precisava de transporte. Combinavam com ele quando precisavam. Num desses encontros que ele começou a despertar interesse pela menina. Ela não queria”, relata o delegado.

A partir daí, o suspeito passou a tentar ficar sempre próximo de Stephanie.

Ele criou uma obsessão pela menina. Passou a ajudá-la, de certa forma, com alguns valores. Quando ele viu que não seria correspondido… Ele tentava agradar, agradar, agradar. Quando viu que ela não queria ceder de jeito nenhum, ficou com raiva e resolveu matá-la“, diz.

O delegado o chamou para depor inicialmente como testemunha, mas diz que durante o depoimento o homem entrou em contradições. “Quando confrontei com alguns dados que eu tinha, ele mentiu. Ali eu já vi.. Acendeu o sinal”.

Nesse momento, a prisão do suspeito foi pedida. A Justiça autorização a prisão no dia 11 de outubro, mas o suspeito conseguiu fugir de uma primeira tentativa de ser detido.

Fuga
Assim que o mandado de prisão foi expedido, a Polícia Civil procurou o suspeito em casa e soube que ele estava trabalhando. Foram então ao trabalho dele, que fica na cidade, para tentar prendê-lo.

Quando foi informado que a polícia queria falar com ele, o homem foi para o estacionamento e fugiu. Ainda chegou a jogar o carro na direção da equipe policial que sinalizou para ele parar. “Jogou e desviou ao mesmo tempo e saiu em disparada, em alta velocidade”.

As tentativas para prendê-lo continuaram. “A gente foi diversas vezes na residência dele, no trabalho, ele ficou oito dias sem conseguir trabalhar. E a gente todo dia indo lá. Até então ele não sabia que estava com esse mandado”, explica. Depois dessas várias tentativas, o delegado resolveu deixar uma intimação com a mãe do suspeito, tentando sensibilizar para que ele comparecesse. O suspeito acabou se entregando e foi preso na última quarta (27).

Confissão
Depois de ser preso, o homem confessou o crime, mas alegou outra motivação para a violência, que o delegado considera mentirosa.

Ele confessou que fez, mas mentiu com relação ao motivo. Tentando difamar, disse que tinha emprestado dinheiro a ela, que ela não pagou. Que ele foi pagar, entraram em discussão e ela foi para cima dele. E ele em um momento de fúria acabou estrangulando ela“.

Como conhecia a vítima, o suspeito nem precisou armar uma emboscada para sair com ela. “Não precisou de muito artifício porque se conheciam. Como ele estava naquela de agradá-la, foi mais um dia. Ele marcou com ela. Eles saíram de São Caetano e de lá ele acabou cometendo esse ato e jogando o corpo dela no CIA”.

O delegado Leandro explica que o inquérito está em fase de conclusão e o homem será indiciado por homicídio qualificado. Ele ainda está analisando as qualificadoras, mas possivelmente serão motivo fútil, sem chance de defesa para vítima e meio cruel. “Ela foi pega totalmente desprevenida”. Depois, o inquérito será encaminhado ao Ministério Público da Bahia (MP-BA).

O crime não deve ser enquadrado como feminicídio porque não havia um relacionamento amoroso. “Em em que pese o interesse dele, não tinham uma relação, era de amizade”.

Para o delegado, a solução desse caso é um dos seus melhores momentos em cinco anos na polícia. “Me deixou muito satisfeito, principalmente pelo senso de justiça da família. Todo momento estava em contato comigo, querendo saber os próximos passos. Esse senso de justiça muitas vezes falta no Brasil. Me comprometi em dar meu melhor para desvendar a situação e graças a Deus chegou, a gente conseguiu pegar”.

Por Carol Neves/redebahia

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