O Povo News

Guerra dos palanques: tamanho de alianças estaduais do PT supera as do PL por margem pequena; veja gráfico interativo

Isolado nas coligações da eleição presidencial, partido de Flávio Bolsonaro conseguiu manter a disputa equilibrada com o de Lula nas conexões regionais

Com os principais candidatos à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), tendo pouco ou nenhum sucesso em firmar acordos com os principais partidos de centro, o peso dos palanques estaduais pode ajudar a decidir as eleições em 2026, e essa disputa está equilibrada.

Um mapa das alianças partidárias nas eleições para governador feito pelo GLOBO com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revela que o PT conseguiu atrair para seu lado um número maior de candidatos quando comparado ao PL. A diferença, contudo, é menor do que se poderia esperar de uma coligação que conta com três alianças na esquerda, contra um rival que concorre isolado.

Ao todo, o exército esperado de Lula chega a 4.250 candidatos, e o de Flávio, a 3.957. O cálculo envolve a quantidade de representantes dos partidos nos estados que fazem parte de uma coligação com o PT e o PL, respectivamente. Outros 9.381 candidatos disputam as eleições estaduais por partidos que não se aliaram a nenhum dos dois.

Os dados levam em consideração o tamanho do partido em cada estado e agrupa postulantes a governador, vices, deputados federais e estaduais, senador e suplentes. Mas a conta é relativa porque, dentro de um mesmo partido, podem coexistir aliados de Lula e de Flávio, de maneira informal, ou mesmo de outros presidenciáveis.

Para além das siglas coligadas (PSB, PDT, Federação PSOL/Rede), a Federação Brasil da Esperança (PT/PCdoB/PV) consegue atrair mais vezes MDB e PSD para o mesmo palanque nos estados. O partido do ex-presidente Michel Temer (MDB) optou pela neutralidade em nível federal, enquanto o de Gilberto Kassab (PSD) conta com o presidenciável Ronaldo Caiado.

O PL de Flávio Bolsonaro, por outro lado, fechou acordos regionais de maior relevo com Podemos, Republicanos e as Federações União Progressista (União Brasil/PP) e PSDB/Cidadania, em posição de neutralidade na eleição contra Lula, além de estar diretamente ligado a cerca de metade dos candidatos do Novo, sigla do presidenciável Romeu Zema.

Dos 30 partidos registrados no país, 19 são objeto de cabo de guerra, aliando-se ao PT em alguns estados e ao PL em outros. Apenas cinco partidos se mantiveram realmente neutros, sem qualquer aliança regional com os partidos de Lula e Flávio: Missão, PSTU, PCO, PCB e UP, todos eles sem direito a tempo de propaganda gratuita em rádio e TV.

Integrantes de PSB, PSOL e Rede, que apoiam Lula, não estão em nenhuma coligação com PL nos estados. A exceção é o PDT, que fechou com o PL, ainda que indiretamente, ao apoiar Mailza Assis (PP) ao governo do Acre e JHC (PSDB) ao mesmo cargo em Alagoas, neste caso indicando o vice da chapa. Já os candidatos de Novo, Agir e Democrata não fazem parte de acordos com o PT em nenhum lugar este ano.

A disputa pelos palanques ficou equilibrada, em grande parte, porque os principais expoentes do chamado “Centrão”, como ficou conhecido o grupo de partidos que costumam aderir a todo e qualquer governo, tiveram inclinações diferentes, tal qual mostra o gráfico acima. O diagrama abaixo aponta o quão complexa é a trama de ligações entre os partidos, mostrando qual a força de conexão entre cada duas legendas. Poucas delas não estão interconectadas.

Outro elemento marcante deste ano foram os impasses nas candidaturas ao Senado. Diante de uma disputa mais acessível com duas vagas à disposição, alguns partidos não entraram nas coligações, ao menos do ponto de vista formal. Um exemplo ocorreu em São Paulo, onde o Podemos e a Federação PSDB/Cidadania abdicaram de integrar o grupo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) para apresentar candidatos próprios a senador.

A coligações não valem para na disputa para deputado estadual e federal, onde apenas partidos federados compartilham a contagem de votos para ter direito a uma cadeira. Esse vínculo também exige que os partidos tenham o mesmo candidato ou candidata nas eleições majoritárias, ou seja, para os cargos de presidente, governador e senador. Mas a quantidade de filiados de um ou de outro concorrendo ao Legislativo em cada estado varia, por decisões internas.

O Republicanos coligou com o PT em sete estados, incluindo a Paraíba do presidente da Câmara, Hugo Motta, e com o PL, em oito. Mas o grupo de apoio a Flávio aparece mais reforçado, com 527 candidatos a 271, porque as alianças se deram em estados mais populosos, como São Paulo. O MDB, por outro lado, tem oito alianças com o PT e sete com o PL. Estados como Bahia e Rio de Janeiro alavancam o potencial de candidatos lulistas no partido para 443, contra 272 inclinados a Flávio.

Compartilhe nas redes sociais:

Leia mais

Captura de tela 2026-09-01 060943
Captura de tela 2026-09-01 055927
Captura de tela 2026-08-30 220311
Captura de tela 2026-08-30 215652
Captura de tela 2026-08-30 212637
Captura de tela 2026-08-30 211453
WhatsApp Image 2026-08-28 at 13.32
547355488_1090109923303719_7431114598490791267_n
Captura de tela 2026-08-28 063737
Captura de tela 2026-08-28 063306
Captura de tela 2026-08-28 062916
ATL-02-800x512