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EUA devem anunciar em breve novas tarifas sobre trabalho forçado para 60 países

Nova está relacionada à investigação sobre trabalho forçado e inclui Brasil, que pode ser taxado em 12,5%.

Os Estados Unidos anunciarão novas tarifas para aproximadamente 60 países nos próximos dias, afirmou o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, em entrevista à CNBC nesta terça-feira (21).

Essas tarifas, que podem afetar os principais parceiros comerciais dos Estados Unidos, têm o objetivo de substituir as tarifas temporárias de 10% impostas pelo presidente Donald Trump após a Suprema Corte ter derrubado as sobretaxas no ano passado.

“Os Estados Unidos têm leis que proíbem o comércio de bens produzidos com trabalho forçado. A maioria dos outros países não possui tais leis, e aqueles que as possuem não as aplicam de fato”, disse Greer à CNBC.

“Esperamos ver algumas ações em breve”, acrescentou.

O Brasil está incluso na lista de países investigados e pode ser taxado em 12,5%.

Na quarta-feira (15), Trump anunciou uma nova tarifa de 25% para produtos brasileiros, com uma extensa lista de exceções, como carnes, café, petróleo, aronaves, sucos de laranja. Cinco dias depois, foi a vez do Canadá ser taxado em 50%.

Autoridades americanas defenderam cautela

Segundo o jornal britânico Financial Times, autoridades de alto escalão têm aconselhado Trump a preservar a estabilidade nas relações com os parceiros comerciais e a respeitar os acordos firmados por Washington para reduzir tarifas em 2025.

O jornal avalia ainda que a guerra comercial lançada por Trump coincide com a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, que pressiona os mercados de energia e aumenta o risco de um conflito regional.

Isso tem gerado custos econômicos nos EUA. Nesta semana, por exemplo, o preço da gasolina subiu para mais de US$ 4 por galão.

Uma pesquisa realizada pela Focaldata para o Financial Times no início deste mês mostrou que mais de dois terços dos eleitores desaprovavam a forma como Trump lidava com o custo de vida.

“Acredito que a principal influência sobre as alíquotas tarifárias seja o ambiente político e as preocupações com o poder de compra, que limitam a capacidade de Trump de ampliar as medidas”, afirmou ao FT Michael Smart, diretor-gerente da Rock Creek Global Advisors, consultoria de Washington.

Autoridades americanas amenizaram parte das tarifas mais duras propostas inicialmente por Trump ao conceder isenções para produtos importantes ao consumidor, como carne bovina e café, e reduzir algumas taxas sobre itens feitos de aço e alumínio.

Após duas investigações comerciais recentes sobre minerais críticos e peças de aeronaves, autoridades recomendaram que os EUA negociasse com seus parceiros comerciais, em vez de avançar com novas tarifas.

“Mas indica que agora é necessária uma abordagem mais cautelosa, principalmente às vésperas das eleições de meio de mandato.”

As tarifas que podem ser anunciadas nesta semana devem variar entre 10% e 12,5% para 60 países, com base em investigações sobre práticas de trabalho forçado. O Brasil está entre os países que podem ser enquadrados na alíquota de 12,5%.

Os Estados Unidos iniciaram a investigação em março, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, juntamente com outra apuração sobre excesso de capacidade industrial, e realizaram audiências públicas sobre as ropostas.

Essa segunda investigação inclui União Europeia, China, Singapura, Suíça, Noruega, Indonésia, Malásia, Camboja, Tailândia, Coreia do Sul, Vietnã, Taiwan, Bangladesh, México, Japão e Índia.

 

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