O Povo News

Chineses cooptaram brasileiros e usaram 'suposto doutor da USP' em pirâmide financeira de mais de R$ 1 bilhão

Lavagem de dinheiro era feita através de criptomoedas, créditos de carbono e ainda com a exportação de alimentos de Boa Vista para a Venezuela

A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou uma operação nesta terça-feira para combater a pirâmide financeira EBDOX, que prometia retornos financeiros elevados por meio de investimentos em uma plataforma falsa. Foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão, além de três mandados de prisão temporária nas cidades de São Paulo, Guarujá (SP), Boa Vista (RR), Curitiba (PR), Dourados (MT) e Entrerios (BA).

Segundo o delegado Thiago Boeing, da 17ª Delegacia de Polícia do DF, as vítimas eram cooptadas pelas redes sociais.

— Eles criaram diversos grupos de WhatsApp e, a partir de anúncios, as pessoas eram chamadas para receber dicas de um suposto doutor em economia da USP. Esse doutor ficava dando dicas de investimento, mercado, que, na verdade, eram alimentadas por inteligência artificial — explica Boeing.

Por trás do falso especialista, estavam outros brasileiros, que integravam o esquema e estavam subordinados aos verdadeiros líderes da pirâmide:

— Identificamos que os responsáveis diretos pelas fraudes eram indivíduos de naturalidade chinesa, que residem na região central de São Paulo — acrescenta o delegado.

“Havia uma estrutura rígida de monitoramento dessas pessoas que tinham catálogos para prestarem informações em chinês para os líderes do grupo e eram remuneradas com criptomoedas”, detalha a Polícia Civil, em nota.

Após conquistarem a confiança dos participantes dos grupos, os golpistas indicaram, através das dicas do falso especialista, a plataforma EBDOX para que novos investimentos fossem feitos em moedas digitais. No entanto, nenhum aporte foi feito. O dinheiro era apenas repassado aos golpistas, que movimentavam o montante por diferentes empresas e negócios. Uma única empresa movimentou mais de R$ 1 bilhão ao longo de 2024.

Os estelionatários chegaram a alegar às vítimas que teriam sido alvos da Polícia Federal e, por isso, o dinheiro da plataforma teria ficado bloqueado. Para reavê-lo, as vítimas precisavam pagar um caução de 5% para liberar o que tinham investido. Ao realizarem o depósito, contudo, as pessoas lesadas pelo golpe seguiram sem receber o dinheiro. A plataforma EBDOX saiu do ar foi retirada do ar em seguida.

— Havia um falso lucro na plataforma. Na verdade, só havia a ‘casca do site’ e nenhum investimento por trás — diz o delegado.

Segundo a Polícia Civil, somente uma vítima de Taguatinga (DF) teve um prejuízo de R$ 200 mil. O dinheiro era lavado através da compra de criptomoedas, de créditos de carbono e ainda com a exportação de alimentos de Boa Vista para a Venezuela.

 

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