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'Bazuca comercial', bullying e Groenlândia: embate entre Trump e Macron expõe racha na aliança entre EUA e Europa

Presidente dos EUA ameaça taxar países contrários à ideia americana de comprar a Groenlândia. Macron sugere ‘bazuca comercial’ e diz preferir respeito a ‘valentões’.

A disputa pela Groenlândia levou os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da França, Emmanuel Macron, a trocarem farpas em eventos públicos e nas redes sociais na terça-feira (20). Enquanto o norte-americano vazou mensagens enviadas por Macron, o presidente francês disse que a Europa prefere respeito a “valentões”.

Contexto: No centro da polêmica está o interesse de Donald Trump pela Groenlândia, território oficialmente ligado à Dinamarca. O presidente dos Estados Unidos já disse que quer comprar a ilha e afirmou não descartar uma saída militar.

Trump afirma que a Groenlândia precisa ser controlada pelos Estados Unidos por razões de segurança nacional.

A Groenlândia tem governo autônomo e já recebeu autorização da Dinamarca para realizar um referendo sobre independência. O atual governo local descarta qualquer associação aos EUA.

Com o aumento das tensões, o primeiro-ministro da ilha afirmou que a população deve se preparar para uma possível invasão militar.

Lideranças europeias defendem a autonomia da Groenlândia diante das ameaças dos EUA.

As tensões aumentaram no sábado (17), quando Trump anunciou a aplicação de uma tarifa de 10% a oito países europeus que não apoiaram o plano norte-americano de comprar a ilha. A medida afeta Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia.

Em reação, Macron afirmou nas redes sociais que as ameaças tarifárias eram inaceitáveis. No dia seguinte, a União Europeia realizou uma reunião de emergência, na qual a França sugeriu o acionamento de um instrumento anticoerção, conhecido como “bazuca comercial”.

👉 A bazuca comercial permite a imposição de tarifas mais altas sobre produtos dos EUA, além de restrições a investimentos, serviços e comércio com empresas norte-americanas.

A resposta de Trump veio na madrugada de terça-feira, com o vazamento de uma mensagem enviada por Macron por telefone. No texto, o presidente francês disse não entender a postura do norte-americano em relação à Groenlândia.

“Vamos tentar construir grandes coisas”, escreveu Macron. “Posso organizar uma reunião do G7 depois de Davos, em Paris, na quinta-feira à tarde. Posso convidar ucranianos, dinamarqueses, sírios e russos à margem”, continuou.

Horas depois, no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Macron disse que “não é momento para imperialismos e colonialismos” e defendeu que a União Europeia não se curve à “lei do mais forte”. Sem citar Trump, o presidente francês criticou o “bullying” de um país contra o outro.

“Preferimos o respeito aos valentões. Preferimos a ciência às teorias da conspiração e preferimos o Estado de Direito à brutalidade”, afirmou.

Trump respondeu em um evento com jornalistas na Casa Branca. O presidente dos Estados Unidos disse que não vai comparecer à reunião do G7 proposta por Macron e que o país terá várias reuniões sobre a Groenlândia em Davos.

Trump discursará no Fórum Econômico Mundial na manhã desta quarta-feira (21).

‘Ringue’ em Davos

Líderes europeus discursaram ao longo da terça-feira no Fórum Econômico Mundial tentando projetar força do continente. No entanto, ainda não está claro como a União Europeia deve reagir às ameaças de Trump.

Além da chamada “bazuca comercial”, o bloco avalia aplicar um pacote de tarifas de 93 bilhões de euros sobre importações americanas. A medida pode entrar em vigor já em fevereiro.

Autoridades também destacaram a importância de reduzir a dependência europeia dos Estados Unidos, principalmente na área de segurança.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que uma “mudança sísmica” torna necessário construir uma “nova forma de independência europeia”.

O enviado comercial norte-americano ao Fórum Econômico Mundial disse que uma eventual decisão da União Europeia de acionar a bazuca comercial “não seria prudente” e teria “consequências naturais”.

Já o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que uma solução sobre a Groenlândia será encontrada para garantir a segurança nacional dos Estados Unidos e da Europa.

Enquanto isso, em Washington, ao ser questionado por um repórter sobre até onde estaria disposto a ir para adquirir a Groenlândia, Trump respondeu: “Vocês vão descobrir”.

 

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