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adolescentes que agrediram colega em ônibus na Bahia prestarão depoimento à polícia

Um grupo de sete adolescentes que agrediram um colega de escola dentro de um ônibus na cidade de Camaçari, Região Metropolitana de Salvador, serão convocados para prestar depoimento à polícia. A delegada responsável pelo caso confirmou que trata-se de um crime motivado por homofobia.

O caso aconteceu no dia 25 de fevereiro, mas só foi registrado na delegacia na quarta-feira (2), depois que as imagens viralizaram nas redes sociais. A vítima contou que sofria agressões constantes dos colegas, mas não denunciava a situação por medo das represálias.

Os sete estudantes envolvidos nas agressões foram identificados pela polícia. Eles moram no mesmo bairro que a vítima, o São Vicente. O adolescente agredido relatou que também recebe ameaças através de mensagens enviadas por redes sociais. Nesta quinta-feira (3), a delegada Thais Rosário explicou o procedimento adotado.

“Foi instaurado o boletim de ato infracional. A vítima, ontem, assim que compareceu à delegacia, juntamente com sua genitora, registrou o boletim de ocorrência, foi encaminhada para a realização de exame de corpo de delito e foi realizada a oitiva. O segundo passo é oficializar a escola, para encaminhar os endereços dos agressores, para que os pais desses agressores possam comparecer à unidade policial e possam ser ouvidos”.

A monitora do ônibus e um fiscal, que estavam no veículo e tentaram ajudar a vítima a se livrar das agressões, também serão ouvidos pela polícia. Quando os depoimentos forem prestados, a delegada deverá concluir o inquérito e encaminhará para o Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA).

“Infelizmente, a situação é em razão da condição sexual da vítima, então é o preconceito. É algo muito triste ver jovens, em pleno 2022, agirem dessa forma. Os infratores podem ser enquadrados por crime análogo ao crime de racismo”, disse a delegada.

O adolescente de 15 anos foi espancado com socos e chutes. As imagens, gravadas pelos próprios agressores mostram a vítima em pé, encolhida em um canto do veículo, enquanto é agredida sequencialmente.

O jovem tenta se proteger abaixando a cabeça e colocando as mãos no rosto, mas é atacado pelo grupo. É possível também ver dois adultos tentando separar a confusão, mas eles não conseguem conter os agressores.

“Eles não querem aceitar as pessoas do jeito que elas são. Não querem conviver com pessoas que não são do mesmo gênero [orientação sexual]. Aí ficavam falando: ‘saí daqui, veado da desgraça’. Não respeitaram a monitora, que estava no ônibus. Não respeitam ninguém. Isso me deixa com medo de fazerem de novo comigo. Já aconteceu outras vezes. Fazem muitas ameaças, pelas redes sociais”, disse a vítima.

O estudante disse que após as agressões ocorridas na última sexta-feira (25) decidiu pedir que sua mãe tomasse providências.

“Sofri calado porque não tenho coragem de desabafar com minha mãe, mas, dessa vez, passou dos limites e precisei falar para que ela tomasse providências. Só quero que me deixem em paz. Por favor, me deixem em paz. Nunca fiz nada para vocês. Só quero que me deem respeito, como eu dou a vocês”, pediu.

“Não relatei antes por medo. É uma situação muito difícil. Medo de ameaças. Pelas minhas redes sociais mandam foto de arma. Por esse medo eu não denunciei. Minha família me respeita, está do meu lado, me apoia. Mas o medo é de fazerem alguma coisa comigo”.

O adolescente ainda pediu segurança. Ele diz que teme por sua vida, mas afirma que precisa pegar o transporte para estudar.

“Voltar para minha escola é o que eu mais quero. Estou no 1º ano do ensino médio, no curso de segurança do trabalho, estudando para ter uma profissão e uma vida melhor. Não posso deixar de estudar por causa desses agressores. Quero segurança. Ninguém sabe o que pode acontecer comigo lá na frente. Peço proteção por minha vida. Preciso pegar o [transporte] escolar para estudar. É difícil. Só a gente sabe como o psicológico da gente fica”, desabafou o jovem.

Fonte: G1

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