As pesquisas apontam empate técnico com vantagem para o candidato do PL, mas as rodadas mais recentes da Quaest e do Datafolha indicam que a diferença para o petista caiu.
O resultado do 1º turno deu a Flávio Bolsonaro (PL) uma vantagem de 2,2 milhões de votos em relação a Lula (PT). Desde então, a média das pesquisas eleitorais aponta empate técnico com vantagem numérica para o candidato do PL, mas as rodadas mais recentes da Quaest e do Datafolha indicam que a diferença para o petista caiu. Ao longo das três semanas que separaram os dois turnos, houve manifestações nas ruas e disputas nas redes sociais. E, nesta sexta-feira (23), o debate realizado pela TV Globo coloca Lula e Flávio Bolsonaro frente a frente pela última vez antes da abertura das urnas.
Neste episódio, Natuza Nery recebe dois convidados para analisar o que irá decidir esta eleição. Primeiro, ela entrevista Eduardo Sincofsky, que realizou pesquisas qualitativas desde maio e conhece de perto o que pensa o eleitor indeciso sobre os dois candidatos – e o que este eleitor espera para o debate. Depois, ela conversa com Christopher Garman, que explica por que o modelo analítico da consultoria internacional Eurasia indica favoritismo de Flávio, mas com viés de alta para Lula.
Convidados: Eduardo Sincofsky, psicólogo e diretor do Projeto Plaza Pública, e Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas do Eurasia Group.
O podcast O Assunto é produzido por: Luiz Felipe Silva, Carlos Catelan, Luiz Gabriel Franco, Juliene Moretti, Stéphanie Nascimento, Marco Antônio Martins e Thomé Granemann. Na apresentação: Natuza Nery.
Que horas será o debate presidencial da Globo nesta sexta?
O Assunto é o podcast diário produzido pelo g1, disponível em todas as plataformas de áudio e no YouTube. Desde a estreia, em agosto de 2019, o podcast O Assunto soma mais de 168 milhões de downloads em todas as plataformas de áudio.
Disputa acirrada no TSE e pressão sobre a Meta marcam reta final da eleição presidencial
A três dias do segundo turno presidencial, marcado para este domingo (25), a corrida pelo Palácio do Planalto entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) ganhou contornos de alta tensão na Justiça Eleitoral. Enquanto a campanha petista protocolou um pedido de cassação da chapa adversária, o Ministério Público Eleitoral (MPE) apontou falhas da Meta no cumprimento de ordens judiciais voltadas à equidade do pleito.
Na noite de quarta-feira (21), a coligação de Lula apresentou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) distribuída ao corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. O processo acusa a chapa de Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar de abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação social.
Entre as sanções solicitadas estão a cassação do registro ou do diploma dos candidatos e a inelegibilidade por oito anos. A petição também requer medidas urgentes de preservação de dados e solicita a concessão de R$ 7 milhões em créditos de impulsionamento como reparação por suposta publicidade paga não entregue.
A acusação detalha supostas discrepâncias na circulação de conteúdos, mencionando uma rede de 255 perfis com alto volume de visualizações e um engajamento proporcionalmente superior no perfil oficial de Flávio Bolsonaro. O texto legal ressalta, contudo, que alto alcance ou diferenças de desempenho digital não comprovam, de forma isolada, manipulação deliberada ou esquema coordenado.
O cenário institucional se complexificou com o parecer da Procuradoria-Geral Eleitoral divulgado nesta quinta-feira (22). O órgão apontou que a Meta — responsável por Facebook, Instagram e WhatsApp — não cumpriu integralmente as determinações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para assegurar tratamento igualitário às candidaturas.
O MPE identificou pendências no processamento de denúncias, na entrega de relatórios individualizados de anúncios e na tradução de documentos sigilosos. Um dos episódios sob escrutínio envolve uma ferramenta automática de tradução que teria invertido o sentido de um comentário crítico a Flávio Bolsonaro para um tom favorável.
A decisão original, proferida em 15 de outubro pelo ministro Marco Aurélio Bellizze e referendada pelo plenário, fixou multa diária de R$ 500 mil por descumprimento, com advertência de possível elevação para R$ 1 milhão. A Meta nega favorecimento político, atribui os problemas a questões técnicas e afirma que já corrigiu falhas operacionais, como erros na geração de imagens por inteligência artificial.
No plano da preferência do eleitorado, a pesquisa PoderData/Aya divulgada nesta quinta-feira (22) aponta Flávio Bolsonaro com 51% dos votos válidos contra 49% de Lula. O levantamento, realizado com 4.000 entrevistas entre os dias 19 e 21 de outubro (registro TSE: BR-07926/2026), configura um empate técnico dentro da margem de erro de 1,6 ponto percentual. Na rodada anterior, o cenário mostrava 52% a 48%.
Com o pleito decisivo no próximo domingo (25), a Justiça Eleitoral enfrenta o desafio de ponderar denúncias e garantir o direito de defesa das partes, enquanto o eleitor sopesa o impacto das regras digitais e das pesquisas na reta final da disputa.



