Candidatos à Presidência que disputam o segundo turno no próximo dia 25 se enfrentaram pela primeira vez neste domingo
A Band realizou, neste domingo, o primeiro debate entre os candidatos à Presidência da República que disputam o segundo turno, no próximo dia 25. Essa foi, também, a primeira vez em que o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o atual mandatário, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), se enfrentaram depois de terem faltado os debates do primeiro turno. Na visão dos colunistas do GLOBO, Flávio Bolsonaro foi quem teve o melhor desempenho, embora próximo ao do petista.
O senador recebeu uma nota média 2,3, numa escala que vai de 1 a 5. Já o desempenho do atual mandatário foi classificado com uma nota média 2,2. Quanto maior o número atribuído pelo jornalista, melhor a atuação do candidato. A nota final é calculada a partir de uma média das pontuações atribuídas por cada colunista ao entrevistado.
Lula (Nota 2): Lula demonstrou certo nervosismo, mas tentou caminhar pelas regras do debate, propondo perguntas e respondendo a Flávio, na maioria das vezes. Se atrapalhou no fim e perdeu oportunidades.
Flávio Bolsonaro (Nota 2): Flávio demonstrou mais desenvoltura, mas optou por não responder a praticamente nenhuma pergunta de Lula e retrucava com acusações sem nexo com os temas tratados.
Bernardo Mello Franco
Lula (Nota 2): Lula se atrapalhou desde o início do debate, quando se esqueceu de dar boa noite aos apresentadores e ao público. Caiu nas provocações de Flávio e passou imagem de impaciência e nervosismo. Nas considerações finais, estourou o tempo e não concluiu a fala nem pediu voto ao eleitor.
Flávio Bolsonaro (Nota 2): Flávio foi treinado para não responder absolutamente nada. Ignorou perguntas sobre dinheiro de Vorcaro, mansão em Brasília, vaivém sobre escala 6×1, defesa de PM que matou criança, cartilha Milei e outros temas. Ao gesticular e fazer caretas atrás de Lula, passou imagem de arrogância e desrespeito.
Fabio Graner
Lula (Nota 2): Lula começou nervoso o debate, depois equilibrou o jogo com Flávio, mostrou ter mais clareza do que é governar e teve umas boas tiradas, como dizer que Jair Bolsonaro votaria nele e na provocação sobre abertura de contas e sigilos. O presidente se atrapalhou com o tempo em alguns momentos, entre eles nas considerações finais.
Flávio Bolsonaro (Nota 2): Flávio iniciou controlando o jogo, mas se perdeu no personagem provocador em vários momentos e abusou da fuga dos temas e questionamentos, seja no tópico corrupção seja em temas técnicos, como saúde e o fim da jornada 6×1. Surfou bem em temas como segurança e ao explorar a sensação de sufoco de parte da população.
Lauro Jardim
Lula (Nota 2): Demorou a sair das cordas no primeiro bloco e pareceu não ter uma resposta treinada para a óbvia citação por Flávio Bolsonaro das acusações feitas no sábado por Roberta Luchsinger. Perdeu diversas oportunidades de acuar o adversário, que fugia das perguntas. No segundo bloco, mostrou-se exaltado, irritadiço, o que não ajuda em nada na tentativa de convencer o eleitorado indeciso. E, nas considerações finais, perdeu tempo atacando a privatização, quando poderia dado alguma mensagem de esperança.
Flávio Bolsonaro (Nota 2): Sua participação no debate teve algumas características marcantes: não respondeu objetivamente a praticamente nenhuma pergunta; abusou da ironia e de frases treinadas para virarem cortes nas redes sociais (“sua vida melhorou ou piorou no governo Lula?”, por exemplo, foi dita duas vezes); fez de tudo para irritar Lula; e conseguiu enfiar em várias respostas propostas sobre segurança pública que são a marca da direita, como a castração química para estupradores.
Merval Pereira
Lula (Nota 3): Lula, apesar da experiência de já ter participado de vários debates, não foi bem nesse, decisivo. Foi surpreendente que não tenha se preparado para os ataques sobre a entrevista de Roberta Luschinger.
Flávio Bolsonaro (Nota 3): Flávio surpreendeu com a desenvoltura, não respondeu a perguntas mais delicadas para ele, mas Lula não o deixou desconfortável a maior parte das vezes.
Míriam Leitão
Lula (Nota 3): Lula perdeu algumas boas oportunidades, mas ficou mais nos temas propostos. Fez um desafio de abertura de sigilo bancário e fiscal e Flávio não aceitou.
Flávio Bolsonaro (Nota 2): Flávio Bolsonaro não respondeu às perguntas, se mostrou desenvolto e ocupou a cena, mas ao mesmo tempo teve um comportamento inadequado diante dos apresentadores.
Pablo Ortellado
Lula (Nota 2): Lula foi pouco ágil na primeira parte que foi mais briga de rua do que debate. Depois, defendeu seu legado econômico e de políticas sociais, reafirmando sua identidade política.
Flávio Bolsonaro (Nota 2): Flávio foi arrogante e cínico, desrespeitando o adversário e ignorando as perguntas. Foi disciplinado na orientação de atacar o custo de vida e prometer pulso firme na segurança pública.
Thomas Traumann
Lula (Nota 2): Nervoso desde o início em que esqueceu de dar boa noite ao público, o presidente se irritou com a citação à lobista Roberta Luchsinger, demonstrou impaciência com o adversário e não conseguiu apresentar propostas. Melhorou ao longo do evento.
Flávio Bolsonaro (Nota 3): Como desafiante, podia ser arrogante, mas exagerou na dose. Não respondeu a nenhuma pergunta, provocou Lula fazendo caretas e passou a imagem de despreparado. Como está a frente nas pesquisas, saiu-se melhor.
Vera Magalhães
Lula (Nota 2): Se confundiu com o tempo, com as regras, caiu na estratégia de Flávio Bolsonaro de passar atrás dele em respostas. Seu melhor momento foi no final do primeiro bloco, quando usou um minuto a mais que teve para elencar realizações de seu governo. Teve uma boa sacada ao sugerir que ambos abram os sigilos para mostrar quem é honesto e ao trazer o exemplo do caos econômico da Argentina, mas mesmo nesses momentos não foi muito claro.
Flávio Bolsonaro (Nota 3): Demonstrou estar mais bem treinado que Lula, usou as respostas para produzir cortes para as redes sociais e desestabilizou o candidato e seus assessores fazendo deboche do adversário. Por vezes soou arrogante e juvenil, o que pode tirar votos. Não respondeu a nenhuma pergunta que foi feita, tanto que teve de voltar a falar do fim da escala 6 x 1 em outro bloco.



