O Povo News

Terremotos na Venezuela mobilizam EUA e países de todo o mundo; ONU alerta que resposta exigirá ‘esforço coletivo massivo’

Chefe de operações humanitárias das Nações Unidas diz que desastre pode agravar vulnerabilidades de quase 8 milhões de pessoas que já precisavam de ajuda no país

Os Estados Unidos e diversos países ao redor do mundo, especialmente na América Latina, ofereceram assistência à Venezuela após os dois fortes terremotos que deixaram pelo menos 188 mortos e cerca de 1000 feridos. Em comunicado, o chefe de operações humanitárias da ONU, Tom Fletcher, afirmou que a organização está “totalmente mobilizada” após o abalo duplo, afirmando que os próximos dias exigirão um “esforço coletivo massivo para apoiar a resposta liderada pelo governo e auxiliar as comunidades afetadas”. Fletcher também observou que, já antes da tragédia, “quase oito milhões de pessoas na Venezuela precisavam de assistência humanitária”.

“Este desastre corre o risco de agravar as vulnerabilidades existentes”, portanto “o apoio internacional contínuo às organizações humanitárias que atuam no terreno é essencial e urgente”, disse Fletcher. Equipes de resgate especializadas coordenadas pela ONU já foram enviadas para participar das buscas por pessoas presas sob os escombros.

Estados Unidos

Os Estados Unidos foram um dos primeiros países a anunciar assistência. Na rede Truth Social, o presidente americano, Donald Trump, escreveu que sua administração está “pronta, disposta e apta” a ajudar, indicando que ordenou “a todas as agências do governo que se preparem para agir rapidamente”: “Estaremos lá para nossos novos e grandes amigos”, disse, acrescentando que “os primeiros relatos não são bons”.

Nas primeiras horas da manhã desta quinta-feira, o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que os EUA estavam enviando “imediatamente” equipes de busca e resgate, recursos médicos e ajuda humanitária. Enquanto isso, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, agradeceu a Trump em uma publicação no X, escrevendo que seu país “jamais esquecerá a mão estendida” pelos Estados Unidos.

Em janeiro, forças americanas invadiram, capturaram e depuseram o presidente Nicolás Maduro, levando-o para os EUA para responder a acusações federais relacionadas ao tráfico de drogas. Trump escolheu Delcy como sucessora e prometeu que a mudança “desencadearia prosperidade” ao revitalizar a indústria petrolífera venezuelana.

Ainda assim, a Venezuela enfrenta anos de crise econômica e sanções severas impostas pelos Estados Unidos, e os terremotos representam um desafio imediato para a presidente.

Brasil

No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ter tomado conhecimento, “com grande preocupação e consternação”, dos “impactos causados pelo terremoto que atingiu a Venezuela”.

Lula afirmou que determinou ao Ministério das Relações Exteriores que avalie, em conjunto com a Embaixada do Brasil em Caracas, medidas de assistência à Venezuela: “Reafirmo nossa determinação em apoiar o governo da presidenta encarregada Delcy Rodríguez na recuperação de áreas afetadas desse país irmão, cujo povo tem dado provas de grande resiliência frente às adversidades”, declarou.

Guiana

O presidente da Guiana, Irfaan Ali, país que mantém uma disputa diplomática com a Venezuela pelo território de Essequibo, também expressou sua solidariedade.

Vaticano

O Papa Leão XIV enviou uma ajuda emergencial de €100 mil (R$ 591 mil). A quantia, desembolsada pela Esmolaria Apostólica — responsável pelas obras de caridade do Papa e pela assistência a populações em situação de dificuldade — constitui “uma primeira contribuição” para apoiar os trabalhos de socorro, informou o Vatican News.

América Latina

A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, anunciou o envio de uma equipe militar de resgatistas e profissionais médicos e acrescentou que, se necessário, enviaria assistência adicional posteriormente: “O México sempre é e será solidário”, publicou no X.

Em Cuba, o chanceler Bruno Rodríguez expressou sua “solidariedade com o governo e o povo irmão” da Venezuela, escrevendo no X: “Os colaboradores da saúde de Cuba presentes no país estão totalmente mobilizados e prestando serviços médicos à população afetada”.

Já em El Salvador, o presidente Nayib Bukele afirmou no X que tinha prontos para enviar a Caracas 300 resgatistas e paramédicos, além de 50 toneladas de equipamentos, medicamentos e insumos de primeira necessidade. No Equador, o presidente Daniel Noboa também afirmou que determinou “o envio imediato” de ajuda humanitária:

“O Equador responderá com a rapidez e o compromisso que este momento exige porque, apesar das enormes diferenças, a humanidade sempre deve reger a atuação de um governante”, declarou Noboa.

A Argentina informou que acompanhava de perto a situação e expressou “sua disposição de colaborar com a assistência humanitária”. Em nota, o governo afirmou que, “além das diferenças que possam existir” entre os países, “o presidente Javier G. Milei estende sua mão”.

O presidente do Chile, José Antonio Kast, disse no X estar “providenciando o envio de ajuda humanitária urgente e o deslocamento de equipes de resgate para enfrentar a emergência” na Venezuela. O Chile, onde vivem cerca de 700 mil venezuelanos, não tem relações diplomáticas com a Venezuela desde 2024.

No Uruguai, o presidente Yamandú Orsi expressou solidariedade “às autoridades e ao povo venezuelano” e disse acompanhar “com atenção a evolução da situação”. Ele também destacou a “disposição de colaborar no que o governo venezuelano considerar necessário”.

O presidente panamenho, José Raúl Mulino, prestou “profunda solidariedade e apoio à Venezuela após o terremoto e suas consequências”, afirmando que o Panamá, “mais uma vez, oferece sua ajuda humanitária às nossas nações irmãs”. Em comunicado, a Costa Rica também disse se solidarizar “de coração com o povo venezuelano”.

Na República Dominicana, o presidente Luis Abinader disse que “equipes especializadas de busca, resgate e resposta a emergências de nossas Forças Armadas partirão para a Venezuela para apoiar o trabalho que está sendo realizado pelas autoridades venezuelanas”.

Europa

A comissária de Gestão de Crises da União Europeia, Hadja Lahbib, afirmou que o sistema europeu Copernicus de detecção por satélite foi ativado para apoiar as operações de resgate na Venezuela: “Estamos preparados para reforçar nossa ajuda”, declarou no X.

A Alemanha ofereceu seis aviões militares para ajudar a Venezuela, enquanto o presidente espanhol, Pedro Sánchez, ofereceu seu “total apoio” ao povo venezuelano. A Espanha tem 54 integrantes da Unidade Militar de Emergências “preparados” para participar dos trabalhos de resgate, informou posteriormente o Ministério da Defesa espanhol.

Na França, país cuja embaixada em Caracas foi danificada, o presidente Emmanuel Macron expressou solidariedade e anunciou o envio de 85 resgatistas franceses “especializados em operações de busca e resgate em estruturas colapsadas”. Por sua vez, a Suíça anunciou que enviará 80 socorristas e 18 toneladas de equipamentos de resgate para ajudar.

Os Países Baixos também anunciaram o envio à Venezuela de uma equipe de resgatistas, além de cães de busca e equipamentos, enquanto, na Itália, Giorgia Meloni afirmou que acompanhava com preocupação as consequências do terremoto. O Ministério das Relações Exteriores italiano informou que o país está pronto para prestar assistência.

Em Portugal, o ministro das Relações Exteriores, Paulo Rangel, anunciou que cerca de 50 resgatistas se preparavam para enviar uma missão de emergência.

Rússia, China, Irã

Em carta, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, pediu a Delcy que transmitisse “sinceras palavras de solidariedade às famílias e amigos das vítimas, assim como nossos votos de rápida recuperação a todos os afetados por este desastre natural”.

Na China, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, disse desejar oferecer “toda a ajuda possível de maneira adequada, de acordo com as necessidades da Venezuela”.

Apesar das consequências da guerra em seu próprio território, o Ministério das Relações Exteriores do anunciou que a República Islâmica “está preparada para fornecer toda a ajuda necessária nas operações de resgate e salvamento” na Venezuela.

Cruz Vermelha

A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV) informou que liberou US$ 2,5 milhões para apoiar os trabalhos de recuperação.

 

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