O Decreto nº 30.128, de 14/11/1957, emitido pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, instituiu a data no Brasil, escolhida para coincidir com o fim das celebrações da semana da Imigração Japonesa (iniciada em 18 de junho).
A imigração é parte fundamental da história brasileira e ganhou fôlego em 1808, quando D. João VI decretou a Abertura dos Portos e permitiu que estrangeiros possuíssem terras no Brasil. Além dos portugueses colonizadores, italianos, alemães, ucranianos, poloneses, suíços e japoneses foram alguns dos povos que aqui chegaram. Boa parte foi trabalhar nas lavouras de café e, posteriormente, na extração da borracha.
O IBGE aponta que entre 1884 e 1959 o país recebeu quase 5 milhões de estrangeiros. Esse volume decaiu entre as décadas de 1960 e 1990 e cresceu nos últimos anos, em particular com a vinda de venezuelanos e haitianos.
Dentre os grandes núcleos de imigrantes no Brasil, destacam-se os italianos e japoneses no estado de São Paulo, os espanhóis em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia, e os alemães nos estados do sul do país. O Rio de Janeiro foi amplamente povoado por estrangeiros em lugares como Petrópolis (alemães), Nova Friburgo (suíços) e o distrito de Penedo em Itatiaia (finlandeses).
O Brasil conta com o maior número de descendentes de italianos do mundo e, segundo estimativas do governo, cerca de 23 a 25 milhões de brasileiros tem algum grau de ascendência italiana. Bairros de São Paulo como Bixiga, Brás e Mooca (onde ficava a Hospedaria dos Imigrantes) são grandes redutos.
Atualmente, os acordos de livre comércio e circulação envolvendo blocos de países e os avanços nos meios de locomoção, tornam as fronteiras mais fluidas. Segundo dados da ONU, cerca de 175 milhões de pessoas vivem fora do país de origem. O número também inclui aproximadamente 25 milhões de refugiados espalhados pelo mundo. Isso leva à formulação de políticas migratórias para equalizar os aspectos positivos da migração e a redução dos seus efeitos negativos.
A imigração foi, e continua sendo, um dos pilares mais importantes para a construção do Brasil. Ela moldou a identidade nacional e impulsionou o desenvolvimento do país em três áreas principais:
Economia e Trabalho
Desenvolvimento agrícola: Imigrantes europeus e asiáticos substituíram a mão de obra escravizada e introduziram novas técnicas de cultivo, como a cafeicultura e a produção de hortifrútis (trazida pelos japoneses).
Industrialização rápida: Muitos estrangeiros trouxeram conhecimentos técnicos e abriram as primeiras fábricas nas grandes cidades, acelerando o comércio urbano.
Mão de obra qualificada: Fluxos migratórios recentes trazem profissionais especializados, acadêmicos e empreendedores que inovam no mercado nacional.
Diversidade Cultural
Culinária rica: Pratos cotidianos e populares no Brasil, como pizza, esfiha, sushi e o hábito do consumo de massas, foram integrados à nossa rotina por comunidades imigrantes.
Língua e expressões: O português falado no Brasil incorporou sotaques, gírias e palavras de origem italiana, alemã, árabe e japonesa.
Festas e arquitetura: Eventos como a Oktoberfest no Sul e bairros temáticos como a Liberdade (São Paulo) mostram a preservação das tradições e o impacto no turismo.
Demografia e Sociedade
Crescimento populacional: A chegada de milhões de pessoas nos séculos XIX e XX ajudou a povoar o interior do país e a expandir novas cidades.
Identidade miscigenada: A fusão de etnias estrangeiras com os povos indígenas e a população afrodescendente originou a pluralidade que define o povo brasileiro hoje.
Atualmente, o Brasil mantém sua tradição acolhedora ao receber novas ondas migratórias de países vizinhos (como Venezuela e Haiti), reafirmando seu papel humanitário no cenário internacional.
(Rodrigo Basile, BNDigital)




