Com essa medida, a Guarda entra no mesmo patamar de grupos como Al-Qaeda, o Hamas e o Daesh, diz chefe da diplomacia da UE.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, anunciou nesta quinta-feira (29) que o bloco irá incluir a Guarda Revolucionária do Irã na lista de organizações terroristas. Além disso, algumas sanções serão aplicadas por conta da repressão contra manifestantes nos atos de janeiro.
Com essa medida, a Guarda entra no mesmo patamar de grupos como Al-Qaeda, o Hamas e o Daesh, diz Kallas.
‘Se você age como terrorista, também deve ser tratado como terrorista’, comentou.
Com isso, é esperada uma reação mais truculenta contra a Guarda Revolucionária, passando de sanções, como já anunciado, até podendo chegar a uma declaração maior, levando para cortes internacionais.
A ação vai em conjunto com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que vem ameaçando o governo iraniano e enviou uma armada americana para o Oriente Médio.
Irã promete responder ‘como nunca antes’ se for atacado pelos EUA
Em uma publicação nas redes sociais, a missão do Irã na Organização das Nações Unidas fez um pronunciamento sobre as ameaças da ‘armada’ dos Estados Unidos no Oriente Médio. Segundo o texto, o Irã está pronto para ‘o diálogo baseado no respeito mútuo e nos interesses comuns’.
Apesar disso, a missão afirma que ‘se provocado’, o país ‘irá se defender e responderá como nunca antes!’.
Em uma publicação nesta quarta-feira (28) na rede social Truth Social, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que uma ‘enorme armada’ está a caminho do Irã. Segundo ele, essa frota ‘se move rapidamente, com grande poder, entusiasmo e determinação’.
Trump ainda aproveitou, na postagem, para alertar o Irã, dizendo que é necessário um acordo ‘justo e equitativo’ e que o ‘tempo está se esgotando’.
Veja a publicação completa:
‘Uma enorme armada está a caminho do Irã. Ela se move rapidamente, com grande poder, entusiasmo e determinação. É uma frota maior, liderada pelo magnífico porta-aviões Abraham Lincoln, do que a enviada à Venezuela. Assim como no caso da Venezuela, está pronta, disposta e apta a cumprir sua missão rapidamente, com velocidade e violência, se necessário. Esperamos que o Irã se sente à mesa de negociações o mais breve possível e chegue a um acordo justo e equitativo – SEM ARMAS NUCLEARES – um acordo que seja bom para todas as partes. O tempo está se esgotando, é realmente essencial! Como eu disse ao Irã uma vez, FAÇAM UM ACORDO! Eles não fizeram, e houve a “Operação Martelo da Meia-Noite”, uma grande destruição do Irã. O próximo ataque será muito pior! Não deixem isso acontecer novamente’.
Nessa terça (27), o Irã advertiu aos Estados Unidos, após a chegada do porta-aviões americano na região do Oriente Médio, que responderia ‘com força’ a qualquer agressão, além de alertar para uma ‘resposta enérgica’ que causaria ‘arrependimento’.
A afirmação foi feita em um comunicado oficial pelo Ministério das Relações Exteriores iraniano. O porta-voz da pasta, Esmail Baqai, afirmou que o Irã tem ‘confiança em suas próprias capacidades’.
Em uma aparente referência ao porta-aviões, o porta-voz continuou: ‘A chegada de um navio de guerra como esse não afetará a determinação e a seriedade do Irã’.
Além da chegada do porta-aviões, a pressão sobre o Irã aumentou nos últimos dias após uma ONG sediada nos Estados Unidos dizer que a repressão deixou quase seis mil mortos e que investiga outros ‘milhares’ de casos.
Os protestos começaram no final de dezembro com marchas contra a crise econômica e evoluíram para um movimento massivo contra o regime teocrático, estabelecido desde a revolução de 1979, com manifestações em massa a partir de 8 de janeiro.
Nessa segunda (26), autoridades do país instalaram um painel em uma praça de Teerã, a capital, mostrando um porta-aviões destruído. O texto diz que ‘quem semeia vento, colhe tempestade’.
O Comando Central, responsável pelas operações militares dos EUA no Oriente Médio e em partes da Ásia Central, anunciou que o navio ‘está atualmente em missão no Oriente Médio para promover a segurança e a estabilidade regional’.

