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Brasil se esforçou para ‘inflar’ Brics esvaziado: veja resultados práticos do encontro

Ausências de presidente da China e de Putin ditaram tom moderado do evento; declaração final não citou guerra entre Rússia e Ucrânia

O primeiro dia da cúpula de líderes do Brics, nesse domingo (6), terminou com a divulgação da declaração final do encontro e de documentos à parte, como o texto sobre governança global da Inteligência Artificial.

Mesmo com o evento esvaziado, as sessões continuam nesta segunda-feira (7), com expectativa de debates acerca de temas climáticos, como forma de antecipação da COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima), que ocorre em novembro em Belém (PA).

BRICS – O grupo se define como um foro de articulação político-diplomática de países que formam o chamado Sul Global, buscando cooperação internacional e o tratamento multilateral de temas globais.

O termo Brics foi criado pelo economista britânico Jim O’Neill para reunir países emergentes que compartilham aspectos socioeconômicos. O principal objetivo do Brics é a formação de um grupo de países que possuem características socioeconômicas em comum visando ao desenvolvimento mútuo.

Qual é a posição do Brasil no BRICS?

Em termos de dimensões territoriais, no grupo estão o maior país do mundo (Rússia, com 17,1 milhões de km²), o terceiro maior (China, 9,6 milhões de km²), o quinto (Brasil, com 8,5 milhões de km²) e o sétimo (Índia, 3,2 milhões de km²).

O Brasil tem um comércio intenso com os países do BRICS. Em 2022, o volume de transações chegou a US$ 177,7 bilhões, sendo US$ 99,4 bilhões em exportações brasileiras para China, Índia, Rússia e África do Sul e US$ 78 bilhões em importações de produtos vindos desses países.

Brics esvaziado enfrenta dificuldades de manter agenda

Encontro no Rio de Janeiro perde força com a falta de Xi Jinping e Vladimir Putin, dificultando discussões sobre conflitos globais e reformas na ONU

O Brasil sedia a cúpula do Brics neste fim de semana, mas o evento enfrenta desafios significativos devido à ausência de líderes políticos de alguns dos principais países do bloco. Xi Jinping e Vladimir Putin, representantes da China e Rússia respectivamente, não comparecerão ao Rio de Janeiro para participar das reuniões, enviando substitutos para as tratativas.

Além deles, o líder supremo do Irã, Ayatolah Ali Khamenei, e o presidente do Egito, al-Sisi, também não estarão presentes. Esta falta de presença das principais lideranças políticas enfraquece a cúpula e dificulta a abordagem de temas mais complexos, como os conflitos globais e possíveis mudanças no Conselho de Segurança da ONU.

Críticas à ONU e agenda do encontro

O bloco Brics entende que a atual estrutura da ONU não representa adequadamente o interesse da maioria das nações, especialmente negligenciando países em desenvolvimento durante negociações de paz. Lula criticou a inação das Nações Unidas em guerras ao redor do mundo, afirmando: “Há muito tempo eu não via a nossa ONU tão insignificante como ela se apresenta hoje. Uma ONU que foi capaz de criar o Estado de Israel não é capaz de criar o Estado palestino”.

Apesar dos desafios, as discussões anunciadas até o momento devem envolver temas como inteligência artificial e financiamento climático. Espera-se que Lula mantenha um tom conciliador na relação dos países do Brics e com o resto do mundo, evitando conflitos com os Estados Unidos e outras potências ocidentais.

Tensões com os Estados Unidos

O objetivo do encontro é reforçar o bloco como um guardião do multilateralismo, em contraponto à guerra comercial promovida pela Casa Branca. No passado, o presidente americano Donald Trump já criticou o grupo, especialmente pela discussão da criação de uma moeda alternativa ao dólar, chegando a ameaçar a imposição de tarifas ao bloco se o tema fosse levado adiante.

Nesta sexta-feira, Lula voltou a tratar sobre a possibilidade de uma moeda alternativa e criticou o protecionismo na economia global, sinalizando que o Brics continua buscando maneiras de fortalecer sua posição no cenário econômico internacional, apesar dos desafios enfrentados nesta cúpula.

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