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6 de janeiro é Dia de Reis

Data revela a força da cultura popular e da Folia de Reis no Brasil

O Dia de Reis, comemorado em 6 de janeiro, representa muito mais do que o momento de guardar os enfeites e desmontar a árvore de Natal. A data é o símbolo de uma rica herança que une o sagrado e o popular, especialmente nas periferias e no interior do Brasil. Conheça as origens do Dia de Reis com a TVT News.

Por que 6 de janeiro é Dia de Reis

O Dia de Reis ocorre em 6 de janeiro porque essa data está associada, na tradição cristã, à visita dos três reis magos ao menino Jesus. Segundo a narrativa bíblica, os magos teriam seguido uma estrela até Belém, levando presentes simbólicos. Ao longo dos séculos, esse episódio passou a ser lembrado no calendário litúrgico como a Epifania, palavra que remete à manifestação de Jesus ao mundo.

A fixação do 6 de janeiro tem relação com antigas tradições cristãs do Oriente e do Ocidente. Em diversos países, essa data marca o encerramento do ciclo natalino, influenciando costumes populares, como a desmontagem da árvore de Natal e a realização de festas. No Brasil, o Dia de Reis ganhou contornos próprios, mesclando referências religiosas com práticas culturais de origem popular.

Essa data também se consolidou como um momento de encontro comunitário, especialmente em regiões onde a Folia de Reis é forte. Grupos organizados percorrem bairros, vilas e áreas rurais, mantendo viva uma tradição que envolve trabalho coletivo, ensaios musicais e transmissão de saberes populares.

Por que não é feriado em todo o Brasil?

Curiosamente, o Dia de Reis já foi feriado nacional no Brasil até 1967. Ele foi retirado do calendário oficial de feriados federais durante uma reforma na legislação que visava aumentar a produtividade econômica, mantendo apenas datas consideradas de maior relevância civil ou religiosa nacional.

Mesmo onde não é feriado, a data permanece viva através das Folias de Reis, que ocupam as ruas com música, cores e resistência cultural, reforçando que a importância de um dia nem sempre depende de um decreto oficial, mas sim da fé e da memória do povo.

Quem era os reis magos?

Os reis magos são personagens mencionados no Evangelho de Mateus. O texto bíblico não especifica seus nomes, nem afirma que eram reis. A tradição posterior passou a identificá-los como Gaspar, Melchior e Baltazar, atribuindo a eles origens distintas, o que simboliza a diversidade dos povos.

Segundo a tradição cristã, os magos levaram três presentes ao menino Jesus: ouro, incenso e mirra. Cada um desses itens possui um significado simbólico. O ouro representa realeza, o incenso está ligado à espiritualidade e a mirra remete à condição humana e à mortalidade. Esses elementos foram amplamente incorporados às manifestações culturais ligadas ao Dia de Reis.

Ao longo do tempo, os reis magos passaram a ocupar um papel central no imaginário popular. Em presépios, músicas e encenações, eles representam a busca pelo conhecimento, a fé e o reconhecimento do nascimento de Jesus, elementos que ajudam a explicar a permanência dessa tradição ao longo dos séculos.

Os Reis Magos eram astrólogos?

Uma das questões mais recorrentes sobre o Dia de Reis diz respeito à relação dos reis magos com a astrologia. O texto bíblico utiliza o termo “magos”, palavra que, no contexto da época, estava associada a sábios, estudiosos dos astros e conhecedores de ciências antigas. Por isso, muitos estudiosos apontam que os reis magos poderiam ser astrólogos ou astrônomos da região da Pérsia ou da Babilônia.

A estrela mencionada no relato bíblico é um dos elementos centrais dessa interpretação. Para povos antigos, o movimento dos astros tinha significados profundos, sendo utilizado para orientar decisões políticas, agrícolas e religiosas. A leitura do céu fazia parte do conhecimento acumulado por esses sábios, o que explica a associação entre os magos e a astrologia.

No entanto, é importante destacar que a tradição cristã enfatiza mais o simbolismo espiritual do episódio do que uma análise científica do fenômeno astronômico. Ainda assim, a ideia de que os reis magos eram observadores do céu contribui para o fascínio em torno do Dia de Reis e ajuda a explicar sua permanência no imaginário coletivo.

Qual é o dia para desmontar a árvore de Natal?

No Brasil, muitas famílias mantêm a árvore de Natal montada até o Dia de Reis, em 6 de janeiro. Esse costume tem origem na tradição cristã europeia, que considera essa data como o encerramento do ciclo natalino. Desmontar a árvore nesse dia simboliza o fim de um período marcado por rituais domésticos, encontros familiares e práticas religiosas.

Embora não exista uma regra obrigatória, o hábito de desmontar a árvore no Dia de Reis segue forte em diversas regiões do país. Em algumas casas, o gesto é acompanhado por orações ou pequenos rituais familiares, reforçando o vínculo entre a tradição religiosa e o cotidiano doméstico.

Esse costume também dialoga com o calendário popular, organizando o tempo social e marcando a transição para a retomada mais intensa das atividades de trabalho e da rotina cotidiana após o recesso de fim de ano.

O que é folia de Reis?

A Folia de Reis é uma manifestação da cultura popular brasileira diretamente ligada ao Dia de Reis. Trata-se de um cortejo musical e religioso, formado por músicos, cantadores e personagens simbólicos, como o palhaço ou bastião. O grupo percorre casas, ruas e comunidades, entoando cantos que narram a visita dos reis magos.

A organização da Folia de Reis envolve trabalho coletivo e planejamento. Os grupos costumam se preparar semanas antes, ensaiando músicas, confeccionando roupas e organizando os instrumentos. Essa dinâmica fortalece laços comunitários e valoriza o conhecimento transmitido entre gerações.

Além do aspecto religioso, a Folia de Reis é reconhecida como patrimônio cultural em diversos estados brasileiros. Ela expressa a criatividade popular e a resistência cultural diante das transformações sociais e econômicas que afetam as comunidades onde essa tradição se mantém viva.

Onde acontece a Folia de Reis no Brasil?

A Folia de Reis acontece em várias regiões do Brasil, com destaque para os estados de Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Em áreas rurais e periferias urbanas, a tradição permanece forte, especialmente entre famílias de trabalhadores que veem na folia uma forma de preservar sua identidade cultural.

Em Minas Gerais, a Folia de Reis faz parte do calendário cultural de dezenas de municípios, envolvendo comunidades inteiras. Em Goiás, os grupos mantêm repertórios próprios e rituais específicos. Já em São Paulo e no Rio de Janeiro, a tradição se adaptou ao contexto urbano, ocupando bairros populares e espaços comunitários.

Apesar das diferenças regionais, todas as folias compartilham elementos comuns: a música, a caminhada coletiva, o respeito aos mestres e a valorização do saber popular.

Confira a lista de festas e encontros de Folia de Reis mais tradicionais

Minas Gerais (O Berço das Tradições)

Minas Gerais é o estado com a maior densidade de “companhias” ativas. Em 2026, os destaques são:

  • Belo Horizonte (Cortejo da Liberdade):

Data: 6 de janeiro de 2026 (terça-feira), às 18h30.

Onde: Praça da Liberdade.

Destaque: Sete grupos mineiros encerram a programação do “Natal da Mineiridade” com um grande cortejo até o Palácio da Liberdade. É um evento visualmente impactante para cobertura em vídeo.

  • Pouso Alegre (Encontro de Companhias):

Data: 6 de janeiro de 2026, a partir das 18h.

Onde: Praça Senador José Bento (em frente ao presépio).

Destaque: Reúne grupos tradicionais como a “Estrela da Guia” e “Magos do Oriente”.

  • Poços de Caldas (Sul de Minas):

Data: 10 de janeiro de 2026 (sábado), a partir das 13h.

Onde: Capela de Santos Reis.

Destaque: Um dos encontros mais antigos da região, com oito grupos locais mantendo viva a tradição da zona leste da cidade.

  • Varginha (Encontro Anual):

Data: 11 de janeiro de 2026 (domingo), às 10h.

Onde: Missa na Matriz do Divino Espírito Santo e cortejo até a Concha Acústica.

Patrocínio (Encontro de Folias):

Data: 31 de janeiro e 1 de fevereiro de 2026.

Onde: Parque de Exposições Brumado dos Pavões.

Destaque: Um evento de grande porte que une a fé à solidariedade, com renda revertida para o Hospital do Câncer.

  • São Paulo

Em São Paulo, a tradição é forte no interior e ganha contornos de resistência cultural em áreas litorâneas:

Aparecida (Festa de Santos Reis):

Data: 15 a 18 de janeiro de 2026.

Destaque: A cidade, que já é um polo religioso, realiza uma das festas mais estruturadas do estado, unindo romeiros e foliões de todo o Vale do Paraíba.

  • Região de Assis (Florínea, Cândido Mota e Palmital):

Data: O ponto alto será 10 de janeiro de 2026.

Onde: Capela Santo Antônio (Água do Óleo, Florínea).

Destaque: É famosa pelo “Encontro das Bandeiras” e pelos almoços comunitários que servem pratos típicos como leitoa e feijão tropeiro para centenas de devotos.

  • São Sebastião (Litoral Norte):

Evento: Folia de Reis do Morro do Abrigo.

Data: Tradicionalmente nas primeiras semanas de janeiro.

Destaque: Uma folia que resiste há décadas no bairro Morro do Abrigo, passando a bandeira de geração em geração, desde as crianças até os idosos.

  • Qual a importância da Folia de Reis?

A importância da Folia de Reis vai além do aspecto religioso. Ela representa uma forma de organização comunitária baseada na solidariedade, no trabalho coletivo e na transmissão de saberes populares.

Do ponto de vista cultural, a Folia de Reis contribui para a preservação da memória popular e para o fortalecimento da diversidade cultural brasileira. Em tempos de padronização cultural, manter viva essa tradição é um ato de resistência e afirmação dos direitos culturais das comunidades.

 

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