Correr na rua ou na esteira? Defina suas metas e faça sua escolha

 

Uma das principais dúvidas dos atletas é se é melhor correr na rua ou na esteira. A segunda opção é realmente mais fácil? Quais as vantagens e desvantagens de cada uma? A verdade é que as duas maneiras são úteis para os treinamentos, mas apresentam diferentes finalidades.

Assim, o educador físico Gustavo Luz explica que a corrida na esteira é normalmente indicada para os atletas iniciantes, pessoas acima do peso ou em tratamento de algum tipo de lesão. Ela é aconselhada quando se busca melhorar o desempenho e se acostumar com o tipo de piso para as provas.

– Correr na rua é mais dinâmico e menos monótono. Além disso não há limitações de aclive, declive, e pode até ser 100% plana. A corrida na rua pode ser praticada em qualquer local, sem custo e só com ela se percebe os reflexos de uma prova – disse o treinador.

O treino realizado na esteira amortece o impacto em torno de 10% do peso corporal, o que evita uma lesão a médio e longo prazo. A chance de acidente é mínima e é uma boa opção para quem não pode treinar na rua. Além disso, se estiver posicionada em frente ao espelho é mais fácil corrigir a postura e o movimento. O controle da intensidade e frequência cardíaca também é mais fácil. Para quem se recupera de lesões é um estágio quase que obrigatório.

Na rua, a corrida pode parecer mais difícil para quem está começando no esporte. Isso porque nela não dá para controlar rigorosamente a sua velocidade, como na esteira. Dessa forma, a zona de cansaço acaba sendo ultrapassada, entra-se em um ritmo mais acelerado antes do tempo, o que acaba comprometendo a corrida.

– Isso pode dar a impressão da corrida ser mais difícil na rua, mas à medida que você melhora (praticando na rua), vai aprendendo a dosar e imprimir as suas velocidades com mais eficiência – explicou Gustavo.

Se o foco é disputar as provas de rua, o atleta não deve treinar só na esteira. A fisioterapeuta Raquel Castanharo destaca que o corpo humano é bastante específico no aprendizado e a tarefa treinada deve ser o mais próximo possível da que será executada.

– Correr na rua envolve fatores que não estão na esteira, como dividir a atenção com o ambiente, irregularidades do terreno, controlar a velocidade da corrida e ter que executar mais força de propulsão. Esses pontos também devem ser treinados – destacou.

Apesar de o movimento ser muito parecido na rua ou esteira, não é completamente igual. Na esteira o corredor tende a dar passos mais curtos, aumentar a cadência (número de passos por minuto) e aterrissar mais com a parte central do pé em detrimento da aterrissagem com o calcanhar, observada mais na corrida em solo. A extensão do quadril (movimento da perna para trás) é maior na esteira e a amplitude de movimento do joelho também. Esses pontos fazem parte da descrição de uma corrida mais eficiente.
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